A tradição de mais de 60 anos de pesquisa científica, preservação, educação ambiental e de polo turístico do Museu de Biologia Professor Mello Leitão está transformando Santa Teresa na capital nacional da Mata Atlântica.

É que a cidade foi escolhida para abrigar o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), justamente pela presença do Museu, que abriga boa parte do legado científico de seu idealizador e fundador, o cientista capixaba Augusto Ruschi (1915 – 1986). Teresense, Ruschi é considerado patrono nacional da ecologia e ícone mundial na luta pela preservação ambiental.

No último dia 23 de fevereiro, mais um passo importante foi dado para que o INMA se consolide como o centro de inteligência que vai orientar as políticas de conservação e recuperação da mata Atlântica em todo o país: o Ministério da Ciência e Tecnologia publicou o regimento interno do INMA, o que era aguardado desde a criação do Instituto em 2013.

O decreto confirma o Mello Leitão como uma das unidades do Instituto. Além disso permite ao MCTI a escolha do diretor a partir de uma lista tríplice indicada por experientes cientistas do país. “Esperemos que esse processo aconteça o mais rápido possível, pois só com a presença de uma direção é que o INMA conseguirá contratar pesquisadores, ter estrutura física maior”, frisou Ronaldo Pinheiro, presidente da Sociedade de Amigos do Museu Mello Leitão (Sambio) e coordenador do Movimento em Defesa do Instituto (MoveInma).

Para Ronaldo, o atual espaço do Melo Leitão é pequeno para comportar a demanda de produção científica, além de ser um patrimônio histórico e cultural do ES. “Foi correta a decisão de manter o nome do Museu. Ele continuará com a função de guardar parte do acervo de Ruschi e outros cientistas, promover educação ambiental, ser o polo turístico que é. Mas é preciso de um espaço maior, as coleções científicas cresceram muito” explica.

Uma das possibilidades é o INMA montar estrutura de pesquisa numa área cedida pela Prefeitura de Santa Teresa, na localidade de Aparecidinha, na cerca de 5 km do centro. O terreno de 119 hectares foi adquirido pelo município para recuperar nascentes de um dos rios que abastece a cidade.

Museu atrai 85 mil visitantes por ano

Por ser um dos lugares mais conhecidos e visitados do ES, o Mello Leitão – fundado em 1949 – tem papel primordial na economia do turismo de Santa Teresa. Cerca de 85 mil pessoas visitam o espaço todos os anos, sendo que boa parte deste público é de estudantes. Segundo Ronaldo, o museu tem 14 funcionários e 11 pesquisadores bolsistas. Fora que cientistas de várias partes do Brasil e do mundo procuram o museu atrás de seu acervo para pesquisas. Por exemplo, a coleção de serpentes ganhou ainda mais importância depois do incêndio que atingiu o Instituto Butantã em São Paulo”, acrescenta.

Além da confirmação do Mello Leitão e da abertura do processo para escolha do diretor, o decreto transfere para o Instituto da Mata Atlântica as Estações Biológicas de Santa Lúcia e de São Lourenço. Dois locais de enorme biodiversidade.

Em Santa Lúcia, Augusto Ruschi fez pesquisas de campo por décadas, montando parte expressiva do legado científico que deixou sobre a floresta. Lá está inclusive o túmulo de Ruschi, que pediu para ser sepultado onde passou boa parte da vida.

Apoio

O prefeito de Santa Teresa, Gilson Amaro (DEM) reafirmou o compromisso de ceder a área para novas instalações do Instituto no terreno comprado para preservar nascentes do rio São Pedro, um dos fornecedores de água da Sede. Lembrou inclusive que parte da área, que até então era um eucaliptal, já foi reflorestada.

O secretário de Meio Ambiente da cidade, por sua vez, comemorou a publicação do decreto. “A consolidação do Instituto da Mata Atlântica, além de ajudar a proteger nossas riquezas naturais, vai dar mais visibilidade à cidade. Inclusive fora do país”, avalia.